Hoje a justiça decide e a gente obedece, diz presidente da Câmara

César Porto
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Há 20 anos atuando como líder comunitário e há 3 como vereador, o presidente da Câmara de Ilhéus, César Porto, confessou hoje que nunca viu tanta turbulência na história do Poder Legislativo local. Segundo ele, hoje a Câmara vive numa condição limitada em que a justiça toma decisões e cabe à mesa da Casa apenas obedecer. A confissão foi feita no programa radiofônico Tropa de Elite, da Gabriela FM, apresentado por Marinho Santos e Robertinho Scarpitta. Porto se refere especialmente à Operação Xavier, deflagrada pelo Ministério Público, que resultou no pedido de prisão de dois vereadores, servidores e assessores políticos e o afastamento de um outro vereador das atividades da casa legislativa.

A situação limitada da Câmara, conforme revelou César Porto, também vem causando sérios prejuízos à municipalidade. Era sua intenção, segundo falou, ao final deste ano devolver aos cofres públicos, cerca de 600 mil reais. Mas com a necessidade de convocar suplentes e nomear assessores, entre outras coisas, parte significativa dos recursos foi gasta."Devemos devolver apenas entre 20 e 30 mil reais", calcula.

Nas últimas semanas, a Câmara vem funcionando com 18 vereadores. O normal são 19. Ele explicou que apesar do então pedido de afastamento do vereador Lukas Paiva, a justiça não determinou o corte do salário dele. O suplente Augustão Cardoso, do PSB, chegou a reivindicar sua imediata convocação, mas o departamento jurídico da Câmara não concordou com a posse. "Sei que não posso trabalhar com 18 vereadores, mas sei que também não posso pagar a 20, mais assessores",justificou.

Ontem a Juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ilhéus, Emanuele Vita Leite Armede, decretou a prisão preventiva do vereador Lukas Paiva (PSB) investigado na Operação Xavier. Segundo o Ministério Público, Lukas Pinheiro Paiva está reiteradamente descumprindo as medidas cautelares diversas à prisão impostas pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, em especial a obrigação de recolhimento noturno em seu domicílio e a proibição de contato com outros réus e testemunhas.